Possuir memória é uma dádiva. Poder voltar atrás, reviver e relembrar é maravilhoso. Analisar, baseado no nosso presente, o que vivemos e o que fizemos é, no mínimo, questionador. Poder averiguar se tormano-nos em quem queríamos ser, se fizemos o que queríamos fazer, se tentamos o que queríamos ter tentado é um direito nosso.
Nós mudamos com o passar dos tempos. Sofremos alterações implacáveis no nosso destino. Tomamos caminhos que não cogitávamos tomar. A gente nunca sabe o que fazer do agora para poder ter convicções no amanhã. E é com essas premissa do tempo, destino, escolhas e dúvidas que a escritora americana Anne Tyler presenteia-nos com este livro glorioso.
A estória narra a vida de Rebecca, uma viúva que gere os negócios deixados pelo seu falecido marido. Com uma família numerosa, as páginas de 'No Tempo em que Éramos Adultos' são preenchidas de diálogos quotidianos — escritos de maneira leve. Anne Tyler possui uma maestria indiscutível ao contar estórias em que se mescla romance, amor e comédia.
Afadigada de sua rotina, Rebecca começa a rever pontos cruciais de sua vida. Ao fim de três décadas, depois de ter tomado a principal decisão de sua vida, ela questiona-se se realmente fora aquilo que ela queria fazer.
Durante a sua juventude, Rebecca abandona sua vida calma, seu namorado Will, e seus estudos para poder casar-se com outro homem mais velho e com três filhas. Naquele momento, o seu sonho fora o impulso que a levou para dentro daquele casamento. Era o momento feliz.
Rebecca é uma personagem corajosa que fez o que quis, mas agora, fragilizada pela senda, pelo trabalho, pelas escolhas, ela questiona-se se sua vida é realmente aquilo que outrora sonhara para si, e se as estradas tomadas foram os melhores caminhos.
Rebecca, agora, acaba por levar uma vida morna, sem vontades. A sua numerosa família preenche-a de tarefas às quais ela mesma se oferece a realizar, fazendo-a, assim, a pessoa mais altruísta que há, mas sem pensar em si. Ao decorrer da estória, os pensamentos e dúvidas de Rebecca vão ganhado forma e ela, subitamente, decide resgatar o seu passado.
O passado é algo que já não nos pertence. Por mais que nos lembremos e revivemos, o passado não muda. Para ela, a tentativa de poder experimentar outros caminhos, ver no que daria os seus 'e se' seria uma forma de sanar as suas dúvidas.
Sabemos que não é possível alterar o passado, mas quiça, podemos alterar o nosso futuro. Neste fantástico livro, Tyler relata-nos a vida de uma mulher questionadora que anseia por vida. É um romance envolvente, divertido e muito, mas muito enriquecedor. Anne Tyler mostra-nos que a vida é simples e que as dúvidas faz parte enquanto nossa condição de ser humano.
A vida foi feita para ser vivida intensamente, e não para ser perfeita. Não existe humano perfeito: existe amor perfeito para humanos inacabados. Durante toda a nossa vida não nos sentamos e dizemos que tudo está completo ou resolvido. Não!, a gente morre e fica um zilhão de coisas que a gente poderia ter feito, comido, sentido, amado, tomado e vivido.
***
Sinopse:
Autoria: Anne Tyler
Editora: Bertrand Editora
Nº de Páginas: 304
Trinta anos depois de ter tomado as grandes decisões da sua vida, Rebecca é apanhada de surpresa pela questão da sua verdadeira identidade. A forma como lhe dá resposta - como tenta recuperar o seu eu da juventude, da adulta dignificada que em tempos foi - é a história contada neste romance divertido e profundamente comovente. O que teria acontecido se ela tivesse casado com o seu namorado louro dos tempos de faculdade, quando ambos eram jovens e sérios e tinham tantas certezas de tudo? Poderá alguma vez recuperar-se a pessoa que se deixou para trás - e poder-se-ia gostar dessa pessoa? Com uma pontaria certeira, Anne Tyler explora estas questões perturbadoras sobre o amor e a perda, sobre a identidade e a família, avançando com uma certeza avassaladora entre a desilusão e a hilaridade, entre a ternura e a observação aguçada, num romance que gostaríamos que nunca acabasse.



0 comments