Alguém já chegou a você e disse, do fundo do coração, que apenas deseja o seu bem? Decerto que sim, e espero que assim seja. Mas nem tudo são flores, e quando se trata de pessoas essas flores podem ser de plástico. Desejam o seu bem. Ponto. Mas não esperam que o seu “bem” seja mais significativo do que o dela.
Você resolve criar um novo esquema, realizar uma viagem, fazer uma comprar dos sonhos e ouve do amigo um “boa sorte”, ou um “sério?! Que maravilha”, ou então “sempre torci por você”. O que muitos não sabem ou não vêm é que nem todo mundo está inteiramente do nosso lado disposto a querer nosso bem. As pessoas atém podem querer que você realize isso tudo, mas isso tudo não pode vir antes do que o dela.
Confiar em alguém é como mergulhar num profundo e denso oceano. Tentar revelar-se para muitos ou para alguns é tentar se descascar, se desnudar. Para confiarmos em alguém é preciso partilha, entrega, comunhão e verdade.
Sempre será difícil partilhar a suas alegrias com o outro. Colocar a sua felicidade nas mãos dele, então, é como pegar em fogo. Sempre achamos que conhecemos bem o nosso companheiro, nosso vizinho e/ou colega mas acabamos por ver que não é bem assim. A verdade é que todos nós temos um lado que não mostramos, e que nos preocupamos sempre o que alguém poderá fazer com ele. Por isso, confiar em alguém seria o mesmo que confiar em nós mesmos. Mas, hoje, estamos andando a caminho dessa confiança plena com o outro?
É normal as pessoas festejarem seu fracasso — mesmo que você não veja. Dizem que lamenta, que sentem muito, ou que tudo passa. Mas passa mesmo? Parece macabro dissecar ao íntimo esse tipo de pessoa que se diz companheira mas que na verdade não passa de uma aproveitadora de sucessos.
A verdade seja dita: nem todo mundo te quer ver melhor que eles. Até podem querer o teu bem, mas nunca, nunquinha, que o teu bem seja melhor que o dela. O problema é que nem todo mundo aceita a diferença, a capacidade de fazer melhor, o seu brilhante entusiasmo ou caráter.
As pessoas andam com sua empatia enferrujada. As mazelas que as divergem não são maiores do que os seus próprios egos inchados. A incapacidade de ver e aplaudir o sucesso do outro torna-se, para elas, uma espécie de fraqueza. Fraqueza é sua falta de forças, mas só em último caso. Porquê não morrer tentando ou tentar até ficar fraco? Não conseguir não deve ser nunca motivo de vergonha. Se uns conseguem, ótimo; se outros não, paciência.
Haverá vantagem em ser tão pleno e realizado apenas por status e aparência somente para os outros e em último caso para si? Os sonhos de muitos são vividos para o público. Suas vitórias devem merecer destaque de impressa para que todos possam admirar. O que resta para estas pessoas? Resta apenas a impossibilidade de realização própria. Pessoas que vivem tão preocupadas em mostrar que têm, que sabem, que comprar, que comem e que vão acabam perdendo de si própria, caindo no domínio popular sem se conhecer.
As pessoas não se ajudam. Já não se olham nos olhos e não se habilitam a resolver problemas. Já não criam vínculos. Já não fazem amizades sem interesse. Já não riem (de verdade) do outro. Já não falam. As pessoas acabaram por fazer das outras degraus para o seu tão almejado sucesso.
Do que adianta viver no mundo sem irmandade? Se plantarmos sementes do bem no jardim de outras pessoas colheremos sempre a gratidão no terreno fértil da vida. É preciso sempre querer o nosso bem para que o do outro seja permitido. É muito difícil viver num mundo onde apenas um pode conseguir e realizar. Essas pessoas que não te quer ver bem faz isso porque você se realiza para si mesmo e não para os outros. A diferença está no que fazemos e não no que podemos ter.



2 comments
Conheço muita gente que quer ver todos bem, mas não melhores do que ela. Particularmente, acho isso um absurdo. Eu fico feliz de ver as pessoas que amo conquistando o que sempre sonharam. Eu me permito viver esse sonho com eles e é extremamente gratificante.
ResponderEliminarVidas em Preto e Branco
Verdade, Lary! Mas muitos não vêem assim. Beijo.
Eliminar