Alice Munro é uma escritora canadense, hoje com 82 anos, mais conhecida por sua condecoração do Prêmio Nobel de Literatura 2013.
Publicado cá em Portugal pela editora Relógio D'Água, o livro possui oito contos, sendo eles: O amor de uma boa mulher; Jacarta; Ilha de Cortes; Salve o Segador; As Crianças Ficam; Podre de Rica; Antes da Mudança e O Sonho da Minha Mãe. O livro foi escrito originalmente em 1998.
Alice possui uma maestria indiscutível em escrever contos. O seu olhar sagaz, inquietador e profundo sobre a nossa sociedade faz com que a autora transmita para o livro a realidade embebida de anseios e desejos — principalmente das mulheres. O papel da mulher na sociedade é o tema fulcral do livro. O espaço, enredo e tempo descritos são de uma graciosidade louvável.
Os personagens criados por Alice são humanos, demasiadamente humanos. Personagens que incute-nos curiosidade e interesse. Com contos aproximadamente de cinquenta páginas (o que até o momento fora novidade para mim), Munro descreve as cenas com uma delicadeza e sutileza agradáveis de se ler.
O cotidiano dos personagens foi o que mais chamou-me a atenção. São dias normais de qualquer pessoa que faz-nos sentir na pele várias situações. A verdade que cada um deles carrega em si é visível. Não tem como não reparar. Alice enche-nos ao decorrer das páginas de verdade, de realidade, de vida. Algo que chamou bastante a minha atenção foi a imprevisibilidade que os rumos dos contos tomam. É aliciante.
Creio que seja difícil criar personagens tão reais na literatura de ficção, mas Munro conseguiu com louvor. O cotidiano das mulheres relatados nos contos são bem reais e feministas. O questionamento do papel da mulher na sociedade é descrito de forma bastante enriquecedora e questionadora.
Alice mostra-nos que uma mulher vai muito além do casamento, dos filhos e do que a sociedade impõe; mostra-nos que a felicidade de uma mulher não implica filhos, casamento e heterossexualidade predominante. Por tratar-se de um livro que fala basicamente de mulheres, penso que o público não deve apenas restringir-se apenas a elas. Leitores homens podem perceber a alma feminina, assim como aprender a enxergar os anseios de uma mulher. A beleza da mulher está na sua liberdade e não apenas na sua condição de ser.
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Sinopse:
Autora: Alice Munro
Editora: Relógio D'Água
Nº de páginas: 266
A maioria dos contos deste livro desenrola-se em localidades de Ontário, no Canadá, onde a autora vive. Mulheres de todas as idades protagonizam as suas histórias. Ainda que os detalhes variem, todas compartilham a mesma necessidade de experimentar a paixão e alcançar a liberdade. Alice Munro escreve sobre a ansiedade da adolescência, a difícil relação entre pais e filhos, as dimensões do amor filial e romântico sobre a enfermidade e a morte.



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