Por vezes, o amor é a única vitória que podemos ter. O direito de amar, de poder expressar amor é, acima de tudo, glorioso. Mas para Sophie Lefrève a coisa não era assim. Sophie, francesa da Vila de Péronne, é a protagonista da fabulosa história de Jojo Moyes na primeira parte do livro que decorre no período da Primeira Guerra Mundial (1916).
Sophie Lefrève, casada com Édouard, sente-se sozinha desde que ele foi para a Guerra. Vivendo com sua família neste período triste, Sophie revela-se uma mulher forte, corajosa e guerreira que luta por si e pelos seus.
Juntamente com sua irmã, Sophie gere um pequeno restaurante na vila, onde as pessoas se reúnem para discutir, conversar, jogar sobre a mesa os seus anseios e medos. Com o passar dos dias, a tropa Alemã adentra no restaurante e anuncia, sem o consentimento delas, que nos dias seguintes eles iriam jantar ali por tempo indeterminado. Sophie não podia dizer nada. Eram alemães.
A tropa ia, religiosamente, todos os dias jantar, conversar e rir. O pessoal da vila não aceitava muito bem a decisão de Sophie, mas não havia outra escolha. Com o passar dos dias, o Kommandant começou a conversar com Sophie a respeito do belo quadro que ela possuía na parede. Era ela, era as pinceladas do seu marido; era seu amor em tinta, cores e formas.
Já no presente, acompanhamos a história de Liv, uma revisora de textos não empregada que ainda sente o pesar da morte de seu marido David. De uma personalidade ora forte ora sensível, Liv carrega consigo um objeto que demonstra a vivacidade e amor de seu falecido marido: o quadro de Sophie que ela recebera de presente. Agora, Liv irá tornar-se uma heroína, assim como Sophie, ao lutar pelo o que mais ama.
Inesperadamente, na história de Liv, surge Paul, que irá despertar nela sentimentos adormecidos desde a morte de David. Porém, Paul trabalha numa empresa de restituição de posses de objetos antigos da I e II Guerra Mundial. E, curiosamente, supostos herdeiros de Édouard Lefrève o procura para reaver o quadro. Quem será mais importante? Paul ou o quadro? É travada uma briga judicial pelo quadro com a pintura de Sophie.
A príncipio, não imaginamos que a história das duas pudessem estar interligadas. Não só está como faz total sentido. Mesmo com um século de diferença, Liv e Sophie possuem características semelhantes ao lutar pelo que mais amam. O poder da coragem, determinismo, de enfrentar barreiras, de arriscar-se faz delas duas personagens lindas, cativantes e humanas. Jojo, com sua destreza, traz-nos um enredo recheado de realismo, personagens secundárias fabulosas, diálogos que dão movimento à história, e humanismo.
Jojo mostra-nos que o importante é lutar, independente do que aconteça. Por vezes, o destino conspira ao nosso favor para que aquilo aconteça. E quando acontece, a gente suspira aliviado por saber que conseguiu. Porém, para se ter conseguido, a luta teve que ser árdua e colossal ao ponto de abrimos mão daquilo que somos, do lugar que vivemos, de projetos que sonhamos.
Portanto, 'O olhar de Sophie' é uma história que mostra-nos o poder da luta e da força dessas duas mulheres que, mesmo separadas por um século, não deixaram de lutar pelo o que mais amavam. O livro possui uma história bastante humana, tocante, leve, e, sobretudo, de amor.
É necessário esvaziar a bagagem para encontrarmos coisas maiores e melhores pelo caminho.
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Sinopse:
Autoria: Jojo Moyes
Editora: Porto Editora
Nº de Páginas: 456
Somme, 1916. Sophie vive numa vila ocupada pelo Exército alemão, tentando sobreviver às privações e brutalidade impostas pelo invasor, enquanto aguarda notícias do marido, Édouard Lefèvre, um pintor impressionista, que se encontra a lutar na Frente. Quando o comandante alemão vê o retrato de Sophie pintado por Édouard, nasce uma perigosa obsessão que leva Sophie a arriscar tudo - a família, a reputação e a vida. Quase um século depois, o retrato de Sophie encontra-se pendurado numa parede da casa de Liv Halston, em Londres. Entretanto, Liv conhece o homem que a faz recuperar a vontade de viver, após anos de profundo luto pela morte prematura do marido. Mas não tardará que Liv sofra uma nova desilusão - o quadro que possui é agora reclamado pelos herdeiros e Paul, o homem por quem se apaixonou, está encarregado de investigar o seu paradeiro… Até onde estará disposta Liv a ir para salvar este quadro? Será o retrato de Sophie assim tão importante que justifique perder tudo de novo?
Nota: No Brasil, o título da obra chama-se "A Garota que Você Deixou Para Trás".




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