Finais são recomeços

by - 27 novembro


Confesso que me assustei com o teu vazio. Eu vi-te a desmembrar-te em minha pele, a apertar o meu âmago, vi-te a sentir amor por mim, mas nada aconteceu. 

Às vezes, na vida, temos a plena certeza de que algumas situações podem sim ser controladas e batemos tanto, tanto na mesma tecla que procuramos uma melodia confortável, entre uma batida e outra, tentando nos convencer que a batida importa mais do que o dedo que passa a ficar esfolado — e ensanguentado. 

No amor, as coisas não como nos livros clássicos ou nos filmes de drama que no final tudo fica bem: no amor as coisas vêm de rompante, sem ensaio, sem texto e encenação. No palco do amor ou somos a luz ou a cortina; ou abre ou fecha. Ou acende ou escurece. 

Sabe, visionei vários cenários para mim e para ti. Juro que tentei preencher o teu vazio de amor, afeto carinho e liberdade, mas não aconteceu. 

Hoje, entendo porque não aconteceu. 

Entendo porque para acontecer havemos de querer ser par e não ímpar. Entendi que o amor é uma história em construção. Entendi que o final perfeito que às vezes a gente sonha pode até acontecer, mas que finais são recomeços. 

E de finais resolvi recomeçar. 

Confesso que assustei com o teu vazio, mas depois nada mais assustou-me. 

Depois que descobri que ser feliz implica saber o que eu quero tudo mudou. Hoje, depois de perceber que o teu vazio era minha repulsa ao que não recebia, entendo que não podia esperar nada de ti sem antes querer tudo de mim: paz, amor, entrega e afeto. 

Hoje eu entendo: meu amor era grande de mais para o vazio que não me pertence em ti.

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