A realidade em preto e branco
Nascido em 8 de fevereiro de 1944, Sebastião Vieira Salgado é um dos mais respeitados fotojornalistas da atualidade. Natural de Minas Gerais, Salgado graduou-se em economia concluindo mestrado e doutorado na mesma área.
Foi num de seus trabalhos como economista na Organização internacional do Café, na década de 70, que Salgado descobriu a fotografia como forma de retratar a realidade económica de diversos locais do mundo ao fotografar os cafezais africanos. Para ele, a fotografia apresentou-se melhor do que textos e estudos estatísticos para representar a situação económica dos lugares pelos quais passava e pousava o seu olhar.
Por muitos anos morou em França — onde começou a trabalhar como free-lancer em fotojornalismo. Trabalhou para grandes agências como Sygma, Gamma e Magnum. Salgado contribuiu, também, para diversas organizações humanitárias como UNICEF, OMS e a ONG. Sebastião Salgado procura fazer as pessoas pensarem sobre a situação económica do local retratado, seja por meio do choque, ou seja por meio da imagem nua e crua da pobreza, da dor e da fome.
Como economista, o que despertou o interesse dele para a fotografia foi o fato dela ser mais explícita com maior impacto e intensidade. Salgado, através da fotografia, pode demonstrar a situação de miséria em que vivem as pessoas de países africanos. Através de suas lentes, Salgado explora temas clássicos da economia como desigualdade social e globalização.
O trabalho de Sebastião Salgado é fortemente influenciado pela técnica do "momento decisivo", ou seja, consiste em fotos diretas, disparadas no momento ideal em que o autor esperava. Desta forma, o fotógrafo procura transmitir num "tiro" todo o drama e impacto da situação observada. Além do mais, podemos observar que todo o trabalho de Salgado é realizado em preto e branco.
A ausência de cor significa falta de informação — o foco está na clareza retratada. O autor da foto deseja que aquele que a observa concentre-se na situação em si e não em um ou mais elementos da mesma. O que interessa é o contexto, o impacto da imagem. Além disso, a ausência de cor enfatiza o drama retratado, o desespero e a dor; é como se o mundo perdesse a cor, a alegria — já que Salgado utiliza sua fotografia como ferramenta de denúncia da pobreza, violência, guerra e fome em regiões miseráveis do mundo.
Fotografia é a ferramenta de retratação que mais aproxima-se do que denominamos realidade, pois o objeto retratado se aproxima do que vemos fisicamente. No entanto, a arte fotográfica tem como objetivo mostrar o que não é possível ver diretamente: ações, reações, sentimentos, pensamentos que como em toda obra de arte podem adquirir interpretações diferentes de acordo com as experiências vividas, seja por quem fotografa; seja por quem observa o resultado do "click".
Do ponto de vista artístico é impossível não ter reação nenhuma diante de uma foto de Salgado. Ele consegue captar com sua lente a indignação que qualquer olho humano, com o mínimo de sensibilidade emocional, captaria no exato momento em que fotografa; e é este detalhe que faz seu trabalho provocar o efeito artístico de forma que, da própria expressão emocional, o artista provoque emoção no outro.
Pode ser que a obra de Salgado pelo excesso de choque leve à anulação de seus efeitos com o tempo ou com a observação contínua, mas é inegável o efeito da primeira impressão ao ver um rosto faminto e sôfrego de uma criança em estado deplorável de desnutrição.









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