De todas as vezes que eu te olho profundamente tento descrever para mim a sua tamanha intensidade, mas não consigo: é trabalho árduo. Você é um misto de mistério doce e emoções escondidas feito mel que não pode ser descoberto e nem colhido por abelhas.
Surpreendentemente intenso e comedido de mais a ponto de não dar espaço, abrir a porta ou pegar pela mão para guiar-me até o seu eu. Seu disfarce de não sentir não é disfarce mas sim uma característica sua. Sua expressão não diz muito tanto quanto os seus olhos — encantadores. E isso me causa anseio.
Você tem um oceano maior que a sua existência e, mesmo assim, não é capaz de saber nadar em si. Numa determinada altura, olhando para sua fotografia, eu não saberei descrever o que sinto por você porque sentir algo por você, para mim, é fraco de mais para expressar meu afeto.
É como se tudo fosse fraco e você involuntariamente me desse força para seguir por mim, e não por nós. Se pudesse nadaria em ti, feito peixinho, respirando e aspirando cada entranha tua à espera de uma resposta que nunca estará pronta, ou que você nunca poderá dizer.
Você é tão inteiro, tão intenso, tão verdade que, de tão grande, só dá ouvidos às mentiras que você ilusiona sobre você.
O seu silêncio, talvez, possa dizer muito para mim. Ou ensinar, quem sabe. Mas eu não sei olhar para você e me sentir partido por saber que você é inteiro de mais para ser outra metade de alguém.



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