Quando menos esperas ele aparece. Não o que estavas à procura, mas o que estava à procura de ti. Ele aparece quando achas que não existe mais sentido em procurar, quando as cores são apenas cores e quando o céu não lhe diz mais nada.
Ele aparece, sim, quando estiveres com um fone de ouvido esperando o comboio das onze, ou quando estás a ler aquele livro que compraste num sebo qualquer.
Ele aparece.
E, quando te aperceberes disso, tudo começa, outra vez, a fazer sentido. Começas a perceber que afinal ele nunca apareceu porque tinhas procurado de mais e ele que tinha de encontrar-te.
Ele aparece.
Aparece porque de tanto procurares tu te tonas merecedor. Porque você foste quebrado de mais por pensar tê-lo encontrado em alguém. Não se preocupe: ele aparece.
Podes até procurá-lo, mas ele aparecerá quando estiveres pronto: não quando estiveres sozinho. Ele aparece. Aparece em formas de som, música, poesia, livro e pessoa. Ele aparece porque a sua única função foi sempre lhe pertencer. Porque teu coração é a tua melhor casa. Porque és especial e digno demais para abrigá-lo.
Ele aparece.
E quando ele chegar, não o solte. Prenda-o. Certifica-te que ele estava à tua procura e não o largue. Ele aparece porque os teus sábados não faziam sentido se todos os domingos seguintes não fossem contigo.
Ele aparece porque tua semana precisa ser completa de amor.



0 comments