Opinião — Tudo Acontece Por Uma Razão, de Pedro Inocêncio

by - 25 janeiro


Há uma razão para muitas razões existentes nessa vasta panóplia de escolhas. Tudo acontece por uma razão e tudo tem um porquê. Certamente, muitos de nós já passamos por uma experiência relacionada a esta: achar que tudo está perdido, que não existe solução, que tudo é o fim até que surge uma luz... mas uma luz que, até o momento, não faz sentido. 

Porém, essa luz desconhecida, distante e inefável é a luz que nos salva no exato momento em que precisamos — mesmo sem sabermos o motivo e a razão. E é com essa premissa que o autor, Pedro Inocêncio, dá fio ao enredo de Tudo Acontece Por Uma Razão

Francisco, um homem bem sucedido, que possui um Stand de luxuosos carros, leva uma vida comum, regada de luxos e boémia. Casado com Cristina, os dois vivem num belíssimo apartamento em Lisboa. Até então, tudo ia de vento em popa até que acontece um episódio insólito: um roubo no Stand de Francisco. 

Com este acontecimento que deixou Francisco atormentado, ele decidiu, por fim, procurar os pais para, quiçá, tentar pôr as coisas no lugar. Mas não. Fracisco fora atacado, verbalmente, pelo próprio pai a alegar que o filho roubara o próprio Stand. Francisco fora acusado e preso. Com voltas e reviravoltas, a única solução, pensara ele, era o suicídio. Com ele (o suicídio) Francisco deduzira que o sofrimento, a tormenta, as mentiras e invenções face a ele iriam morrer.
Coisas em nossa vida acontecem e não sabemos o porquê. Muitas delas ignoramos, fechamos nossos olhos e deixamos passar. Todavia, há razões que são insistentes e predestinadas a acontecerem. Eis que surge a luz: Leonor. Amigos desde a escola, Leonor sempre sentira uma paixão por Francisco; contudo, ele e ela nunca resultaram, pois ele apenas tinha olhos para Cristina. Com o desenrolar da história, o autor, muitíssimo bem, introduz Leonor no dia-a-dia de Francisco, tornando-os cada vez mais próximos e mais amigos. 

O autor, ao decorrer da trama, prende-nos com a sua escrita extremamente fluída e carregada de suspense. Ao virarmos as páginas não conseguimos conter a curiosidade de saber sempre mais acerca dos personagens. Ponto para o autor ao apresentar-nos personagens secundárias muito bem construídas e cheias de sentimentos e realismo. Embrenha-mo-nos na história sem fadiga. 

Como personagens secundárias, é-nos apresentado Gonçalo, grande amigo de Francisco; Palmira, mãe do Gonçalo que trabalha (há muito tempo) para e com a família de Francisco; e Afonso, amigo de Leonor que ajuda-lhes ao longo da trama. 

Imbuídos de realismo, Pedro Inocêncio traz-nos capítulos objetivos, curtos, leves e com ganchos finais que põe-nos curiosos. E é com muita revelação e suspense que a trama vai se desenvolvendo. 

Gostei bastante do livro. É um livro que fala sobre coisas humanas. O romance, como pano de fundo, colmata muitíssimo bem esse policial carregado de suspense. Traição, vinganças, mentiras, sedução e segredos compõem esta grande obra de Pedro Inocêncio. 

Não existe razão para as coisas que vêm do coração. Basta sentir, sonhar, permitir-se o encontro, a esperança, o renovo. E assim não foi diferente para Francisco — que passa por vários percalços na história. E para quem gosta de surpresas finais a história não deixa a desejar. 

Recomendo!


Nota: Resenha do livro em parceria com a Chiado Editora.






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Sinopse:

Autor: Pedro Inocêncio
Editora: Chiado Editora
Nº de Páginas: 342

Com um enredo intrigante e emocionalmente envolvente, a presente narrativa, inteiramente original, Tudo acontece por uma razão, transporta-nos para uma fantástica e quimérica viagem de libertação de tabus e de preconceitos sociais, em busca da descoberta do verdadeiro amor! A ação desenrola-se a um ritmo alucinante e imprevisível, o que faz com que o leitor se sinta envolvido, focado e agarrado àquele mundo eufórico e, similarmente disfórico, desde o início da trama. 

Bastou um dia para Francisco Andrade ver o seu mundo perfeito ruir por completo... No início de mais uma semana de trabalho, Francisco é confrontado, logo pela manhã, com o desaparecimento de toda a frota de automóveis de luxo do seu Stand de família. A polícia, ao investigar o caso, aponta-o como principal suspeito do crime, já que todas as evidências recolhidas o inculpam! Ao chegar a casa, destroçado e confuso, depara-se com uma prostituta, que não conhece de lado algum, algemada à sua cama! É surpreendido pela sua mulher, Cristina, que o abandona sem lhe dar qualquer possibilidade para se defender. Tanto a família, como os amigos, se afastam de Francisco, aquando da sua humilhação pública, desvendada e inflamada pela comunicação social, por um crime que não cometera.

E se a vida que vivemos não passar de uma ilusão? E se as pessoas que julgamos conhecer não forem o que aparentam? E se a realidade, que julgamos discernir, não for mais do que um devaneio que construímos para nós próprios?

O suicídio era a única saída que Francisco Andrade conseguia descortinar. Preparado para ceifar a sua própria vida, eis que surge um amor do passado que o resgata do abismo e lhe devolve a alegria de viver. A traição e as intrigas dos tempos modernos, o drama e a injustiça, assim como o amor na sua condição mais nobre e altruísta, são os ingredientes desta empolgante peripécia, que seduz o leitor desde o seu prelúdio.

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