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O mar era plácido, calmo e muito límpido. Ao mergulhar, senti todo o meu corpo estremecer com uma presença solene de uma imensidão compacta naquela água, ali. Meus pés, sobre pedras, fugiram de mim. Percebi, dentro d'água, que dividir um mar e não mergulhar junto é uma falta de cumplicidade, escolha e descompasso. 

Meu coração gelou tanto como aquela água; senti um estremecimento por baixo da minha pele, senti um arrepio no profundo do meu ser. Minha respiração, adiada, alertava a minha falta de prática e convidou-me a subir; porém, avistei duas pedras, lindas, díspares das restantes, reluzentes sob meu olhar. 

Prendi, de novo e de novo, a minha respiração e pude salvar estas duas pedras da solidão. Ao emergir, o mar estava agitado, movediço e fazia frio. Eu, ali, sentindo-me só, ofereci as duas pedras a um estranho que as recusou. 

Saí da água, analisei as pedras de profunda beleza e, seriamente, pensei em devolvê-las a quem lhes é por direito, o mar, mas algo em mim, muito forte, instintivamente, fez-me guardar estas pedras onde aquele estranho estava. 

Este estranho, que comigo no mar esteve, fez-me notar que por mais fundo que queiramos ir, nunca será suficiente profundo se depender apenas da gente. O mar, se não me quisesse, teria me engolido, teria feito de mim também pedra, teria feito de mim um peixe que não volta. 

O mar não me engoliu, mas eu engoli as pedras dele. Pedras estas que não poderiam ser minhas. Alojadas, com muito cuidado, no compartimento mais pequeno, dentro do saco daquele rapaz, estavam, naquele instante, as pedras que eram do mar, que foram minhas e que já não era do que me uniu. 

A união de diversas coisas é feita através de um sim, de uma vontade, de uma escolha incessante de pertencer. O mar macio, naquela tarde, disse sim, para mim, e escolheu-me, sem que eu quisesse e pedisse. O mar, as ondas, o que levou-me ao cerne do meu sentimento, proporcionou o encontro com a razão mais dura que até existira: eu não sei ser pedra. 

Por mais que eu tentasse, sem perceber, eu nunca poderia ser pedra. Ser-se isto, duro, é um processo obscuro, excruciante, latente e, quiçá, sufocante, que eu jamais poderia sustentar. 

O meu coração, mole, não tem perfil para ser moldado ou sofrer mutação. Ele, assim como o mar, só tem caminho de ida e volta - tendo nele suas incertezas e surpresas. 

As duas pedras, desamparadas, talvez também tenham me encontrado: duas almas solitárias e que nunca antes perguntaram se ser-se o que se é seria um motivo de escolha. Eu, assim como elas, não seríamos assim se tivéssemos a oportunidade de escolher. As pedras, por serem elas, talvez nunca teriam ido ali parar. 

Ouvi-as, alarmadamente, chamando por ajuda e conforto. Pedras, infelizmente, por não ser pedra como vocês, não poderia abrigá-las. 

No fim, guardadas com o rapaz estranho, talvez elas estivessem mais amparadas, seguras e amadas. Amar uma pedra é muito mais fácil que amar alguém de carne e osso. Uma pedra não requer carinho, palavras, um sim, uma atitude - uma pedra é um eterno convite para olhar o que poderia ter sido e não foi. 

Talvez eu não volte a reencontrar aquele estranho rapaz, talvez ele suma, talvez ele fique, talvez ele me encontre, talvez eu o encontre, mas nunca saberei, ao certo, em que incerteza eu estarei, ou que ele estará. 

Descobri, após a longa viagem que tive, ao voltar para casa, que pedras podem ser sinónimo de certeza e do que não muda. 

Parado, junto da janela, com um monte de certezas incertas, tive imensa vontade de não ter dado aquelas pedras. Ao tempo, ali, caiu sobre mim a função de tudo que acontecera. 

Aquele rapaz, belo, de olhos leitosos e de uma serenidade no olhar, não saberá o que fazer com as pedras que o mar deu-me a mim. 

Tão cego estava, como sempre, que quis logo ofertar o que de mim mais lindo tinha. As pedras não me incitaram a ser duro ou transmutar-me numa, mas, pelo contrário, convidaram-me a guardá-las, num espaço e no coração. 

O que de mais lindo em mim aquele estranho teve, foi o que se sucedeu ao longo de muitas idas e vindas em mim - uma excesso de entrega, um loucura de desejo, um pouco de infinidade, um complexo emaranhado de carinho, um punhado de estrelas. 

O estranho rapaz, talvez, se não tiver posto as pedras num caminho alheio, agora segura as pedras que ardeu em meu coração. Pedras estas que apedrejaram, depois, meu ser. 

Uma das maiores perdas talvez seja não mergulhar, tentar, e emergir do fundo com a certeza que o desconhecido é um lugar palpável e cheio de pedras. 

Duas pedras simbolizam a união entre mim e aquele estranho. 

No mar do amor eu não sei ser raso: mergulho fundo, encontro pedras e aprendo a ser. 

Aprendi que ser-se pedra é deixar de lado o que não nos quer e aproximar de nós o que mais de nós temos. 

Duas pedras. 
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Confesso que me assustei com o teu vazio. Eu vi-te a desmembrar-te em minha pele, a apertar o meu âmago, vi-te a sentir amor por mim, mas nada aconteceu. 

Às vezes, na vida, temos a plena certeza de que algumas situações podem sim ser controladas e batemos tanto, tanto na mesma tecla que procuramos uma melodia confortável, entre uma batida e outra, tentando nos convencer que a batida importa mais do que o dedo que passa a ficar esfolado — e ensanguentado. 

No amor, as coisas não como nos livros clássicos ou nos filmes de drama que no final tudo fica bem: no amor as coisas vêm de rompante, sem ensaio, sem texto e encenação. No palco do amor ou somos a luz ou a cortina; ou abre ou fecha. Ou acende ou escurece. 

Sabe, visionei vários cenários para mim e para ti. Juro que tentei preencher o teu vazio de amor, afeto carinho e liberdade, mas não aconteceu. 

Hoje, entendo porque não aconteceu. 

Entendo porque para acontecer havemos de querer ser par e não ímpar. Entendi que o amor é uma história em construção. Entendi que o final perfeito que às vezes a gente sonha pode até acontecer, mas que finais são recomeços. 

E de finais resolvi recomeçar. 

Confesso que assustei com o teu vazio, mas depois nada mais assustou-me. 

Depois que descobri que ser feliz implica saber o que eu quero tudo mudou. Hoje, depois de perceber que o teu vazio era minha repulsa ao que não recebia, entendo que não podia esperar nada de ti sem antes querer tudo de mim: paz, amor, entrega e afeto. 

Hoje eu entendo: meu amor era grande de mais para o vazio que não me pertence em ti.
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Se todas as vezes em que eu preferisse estar contigo eu estivesse comigo eu seria bem mais feliz. O que aconteceu, nesse intervalo de tão curto pouco tempo, foi que eu vi meu coração em ti. Vi minhas certezas que sempre quis ter em alguém. Vi o céu azul que apenas chovia amor. Vi a beleza de alguém que sabe ser doce, mas por pena ou acaso eu vi o que não gostei e decidi não ficar.

Sabe, para a gente demorar em algumas coisas é preciso se ver nessas coisas… e eu não me vejo em ti. O que eu vi foi um reflexo das minhas expectativas que, infelizmente, só me trouxeram decepção. Se de todas as vezes que eu quisesse estar contigo eu estivesse comigo eu saberia que amor não se pede nem exige: o amor acontece. 

Saiba que esses momentos de doçura e eternidade foram momentos fulcrais para ajudar a perceber quem eu sou e porque eu quero e porque não quis.

Não gostei de ficar porque eu procuro morada num outro coração. Não fiquei porque chovias enquanto eu estava vivendo num belo dia ensolarado. Não fiquei porque por mais doce que tu sejas, eu mereço um pote do mais doce mel.
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Quando menos esperas ele aparece. Não o que estavas à procura, mas o que estava à procura de ti. Ele aparece quando achas que não existe mais sentido em procurar, quando as cores são apenas cores e quando o céu não lhe diz mais nada. 

Ele aparece, sim, quando estiveres com um fone de ouvido esperando o comboio das onze, ou quando estás a ler aquele livro que compraste num sebo qualquer.

Ele aparece.

E, quando te aperceberes disso, tudo começa, outra vez, a fazer sentido. Começas a perceber que afinal ele nunca apareceu porque tinhas procurado de mais e ele que tinha de encontrar-te.

Ele aparece.

Aparece porque de tanto procurares tu te tonas merecedor. Porque você foste quebrado de mais por pensar tê-lo encontrado em alguém. Não se preocupe: ele aparece.

Podes até procurá-lo, mas ele aparecerá quando estiveres pronto: não quando estiveres sozinho. Ele aparece. Aparece em formas de som, música, poesia, livro e pessoa. Ele aparece porque a sua única função foi sempre lhe pertencer. Porque teu coração é a tua melhor casa. Porque és especial e digno demais para abrigá-lo.

Ele aparece.

E quando ele chegar, não o solte. Prenda-o. Certifica-te que ele estava à tua procura e não o largue. Ele aparece porque os teus sábados não faziam sentido se todos os domingos seguintes não fossem contigo.

Ele aparece porque tua semana precisa ser completa de amor.
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É muito fácil olhar para ti e não sentir nada —  pois o nada nunca existiu. É fácil tentar focar todos os meus objectivos numa relação que não me edifica, sustenta ou fortalece. O que eu faço aqui, João? 

É deveras fácil tentar ser tua princesa, tua esposa perfeita, a tua doméstica pontual. Mas é muito, muito difícil ser tua esposa e o seu amor, João.

É agoniante olhar para ti e apenas sentir amor quando eu quero sentir um ódio mortal, latente. É exaustivo amar-te. Tu me cansas assim como os cavalos da fazenda há alguns quilómetros daqui que vão e vem sob o sol quente e abrasador. 

É muito fácil subir no teu pedestal e ficar debaixo de teus pés, sentindo o teu pisar de desprezo e a terrível sensação que tu apenas me suportas e exalta por ser teu prémio, não o teu amor.

João, sinceramente, não sei o que vi em ti. 

Além dos seus belos olhos castanhos, eu jurava que atrás deles eu poderia desbravar o mundo apenas por olhá-los. Eu quis fazer morada em seus olhos porque eu vi encantamento e certeza, mas tudo isso foi em vão, João.

O que eu sou para ti?

Eu vejo a Lúcia e o Marcelo e sinto inveja — das fortes, brabas e latentes. Eles são felizes, são fugazes, são honestos um para o outro. Eles são amor dividido ao meio sem parecer metades.

O que eu sou para ti, João?

É muito fácil olhar para ti e não sentir nada. Porque todo o amor que eu construí acerca de nós dois tornou-se num vazio tão latente e pegajoso que posso senti-lo à noite, junto a mim. 

Apesar de ser vista sempre como um emblema de prazer, uma fragilidade feminina, uma volatilidade da natureza, eu sou forte o suficiente para reconhecer que o vazio sempre foi meu: eu enchi-me de certezas e cobri por anos essa relação que nos sufoca. 

Eu não fui mulher quando eu mais precisei.

Eu não gritei. Eu não chorei. Eu não quis arrancar os cabelos. Eu não bati a porta. Eu não saí correndo. Eu não quis quebrar todos os meus pertences de higiene pessoal, ou rasgar as tuas roupas... Eu apenas aceitei estar numa relação calada, fria e incapaz de reconhecer que és egoísta de mais para não olhar para mim.

Eu sempre achei que tu pudesses mudar. Eu tive para mim que todo o seu machismo pudesse derivar por conta do seu círculo social, por conta do seu emprego ou pelo seu status. Eu fui dando tempo ao tempo. “Ele irá mudar” — era o meu mantra. Tu não mudaste e vi que eu mudei bastante, pois agora eu percebo isso. 

Talvez o erro de muitas mulheres seja sujeitaram-se a qualquer amor, paixão e faísca. Por se sentirem demasiadamente frágeis e sozinhas, por se sentirem-se vulneráveis, e precisarem de um homem — seguido de um amor.

A sociedade implementou: casa-te com um homem não com o seu amor. Tua dedicação com ele vale muito.

João, como fui dedicada e como não valho nada. Como fui modesta. Como fui passiva. Como fui letárgica. 

Por ser tão difícil ser mulher percebi que é extremamente difícil deixar de ser a tua. Medo. Tu metes-me medo porque eu não saberei enfrentar o mundo sem ti. Eu sei que posso e devo, mas não consigo.

O que faço aqui presa, João? 

Devias ao menos libertar-me. Cansei de ser a princesa de um monstro.

Mulheres, aprendi durante toda esse tempo que amar um homem pode ser bem mais difícil do que criar um filho. Se você decidir amar um homem esteja ciente que ele poderá absorvê-la.

Aprendi que amar alguém vai muito além de satisfazer seus desejos. Amar alguém é transcender a alma, é catalogar teus sonhos, é dividir tuas esperanças. Se eu sou feliz? Um pouco. Primeiro porque sei que minha vida é um erro que sei como corrigi-lo. Segundo porque eu sou mulher, mas não aprendi ainda a ser corajosa o suficiente para ser feliz por inteiro.

Um homem que não presta é capaz de destruir a tua coragem, dilacerar tua alma e fazer de ti a sua eterna escrava julgando sempre que és uma princesa.

Homens que não valem nada sempre se acham príncipes, sendo que, na verdade, eles não passam de monstros que nunca deixam as belas, encantadoras e manipuladas mulheres irem-se por não serem capazes de viverem sem  escoras. 

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Eu estive à espera cerca de vinte e cinco minutos. Eu não me contive e olhei em volta e nenhum vestígio de você. Duas mulheres chegam. Esbeltas e de pele morena, com olhares indecifráveis, que se sentam junto à nossa mesa. Eu não pude deixar de reparar naquele lindo colar que uma delas carregava e, também, no belo sorriso que a outra vestia. Nunca havia me sentido tão indiscreto e, ao mesmo tempo, tão solitário por você ter me esquecido naquela mesa num sábado à noite. 

Uma delas, Carla; foi o que pude ouvir. Outra, minutos depois, Isabel. Carla e Isabel. Fitei inúmeras vezes, de novo, o relógio. Onde estaria você? Pedi a entrada e comi lentamente. Carla e Isabel comiam foccacia e apreciavam um bom vinho, além de terem iniciado uma interessante conversa. 

— A sua escolha foi bem inteligente, Isabel. Adorei o ambiente. 

— Pedi que minha secretária reservasse. Ela disse-me que esteve a tarde toda a procurar os melhores restaurantes, pois tinha medo de eu não gostar. 

— Espero que você a felicite por isso. 

— Claro, minha amiga. Quantas saudades que eu tinha de você... das nossas conversas. 

— Verdade, Isabel. Já não era sem tempo! Você anda tão atolada no trabalho! 

— Ando tão atolada no trabalho que estou esquecendo de minha vida. Estou estagnada e, pasme, não sei o que fazer! 

— Para outro alguém, isso seria uma coisa muito estranha de se ouvir, Isabel. Pois você tem sempre o controlo de tudo. 

— Mas não de mim. 

— O que está te afligindo, minha querida? Conheço-lhe bem. 

— O amor. 

— Uau! Ele chegaria cedo ou tarde em sua vida... 

— O problema, Carla, é: eu que sou tão segura de mim, independente tenho medo de perder minhas certezas por saber que estou amando. 

— De todas as suas relações, Isabel, você nunca se entregou o suficiente e acho que esse momento deve ser agora. Você sabe, você deve. 

— Eu queria muito deixar para depois o amor sendo que eu preciso dele agora. 

— Não evite o inevitável, não se isole assim. Não finja que as coisas passam ao seu redor como se fosse um carrossel que não vai parar. Concentre-se no seu coração e ouça-o apenas uma vez. Esqueça a razão, alimente sua fase. Aproveite seu momento. Resgate aquela adolescente que você perdeu. Fuja desse cliché que não existe amor sendo que, na verdade, o que não existe é pessoas suficientes para acreditar nele. 

— Eu tenho medo que dessa vez eu não consiga alguém que queira ficar. 

— Eu realmente acho que quem tem de querer ficar, antes de tudo, é você. Lembre-se que além de uma vida profissional brilhante e todos os prémios que você tem não é tudo porque você é ser humano com emoções e sentimentos e é natural que você queira alguém não apenas para partilhar o que você tem obtido pelo seu sucesso, mas sim para somar todas as qualidades e afinar defeitos. Ouça, Isabel, a gente cresce muito com alguém. 

Eu já havia terminado minha entrada, elas estavam à espera do prato principal. A empregada libanesa, muito atenta, reparou que havia um prato a mais à mesa, e talvez ela soubesse que ele poderia ficar assim, vazio, à noite toda e gentilmente perguntou se poderia retirar. Eu disse que sim. Hoje janto comigo. Assim que meu prato principal chegou, Carla e Isabel, olharam de relance para mim e continuaram a conversa. 

— Carla, eu acho que nunca amei. 

— Existe muitas formas e muitos caminhos de amar. Talvez você ainda simplesmente não achou a tua. 

— O que é amor para você? 

— Eu nunca irei saber descrever ao certo algo que me possui por inteiro. Algo que arde e fere. Algo que em mim pulsa em sono e acorda em fúria; algo que eu esqueci numa estrada que é cíclica e que não tem fim. Não que eu não goste do amor, eu amo o amor e convido as pessoas que o conheça. Mas, Isabel, quando eu falo de amor, eu não falo apenas de relação; claro que isso é um ótimo caminho... Mas as pessoas se esquecem muito de amar... a si. Você se ama? 

— Eu nunca parei para pensar nisso. 

— Eu sempre fiz do amor um cálculo errado. Sempre associando aos homens que eu pudesse ter. Mas com o tempo aprendi que posso amar uma folha, um gato, uma casa, um livro que seja. Amar é meter todas as suas certezas num saco e jogar no mar esperando que um dia eles parem à beira-rio, mas que nunca param - e você aprende a reinventar o amor e o amar. 

— Isso é tão confuso quando não me entendo. 

— Eu acho muito válido você se preocupar tanto com sua vida profissional, a sua estabilidade, os seus sonhos... Mas e você? Os seus outros planos? A Isabel mulher, talvez mãe, a Isabel que viaja sem destino, a Isabel que poderia viver um ano em Londres, a Isabel destemida, sem medo e sem medo de errar? Acho que você tem medo do amor porque sua mente é sempre treinada para não errar... e você tem medo que o amor possa te machucar e não dar certo. Mas o que é certo nessa vida? 

— Eu nunca me arrisquei viver de verdade. 

— O dia que você aprender que a vida vai tão além de trabalho e dinheiro você entenderá não apenas o motivo do amor, mas a sua função como ser. 

— Você sempre fazendo poesia com suas doces palavras. 

— Ouça meu conselho, minha amiga: não atrase por medo ou por alguém, arrisque-se viver de acordo as suas vontades e, caso não tenha, procure criá-las. Arrisque-se. Permita-se. Ame-se e deixe-se amar. Não deixe para depois caso a oportunidade seja amar você, ou alguém. Permita-se sentir porque só assim você saberá que de fato você pode amar. Amar alguém é sentir que sua alma encontrou morada, que sua melodia agora faz sentido, que conversar com esse alguém é tão bom... que você poderia apenas conversar fazendo um silêncio tão gritante que só quem ama ouve. Digo mais: deixe-se descobrir o amor e o amor irá descobrir você. Você nunca será inteira de mais para algo que não se mede e não se cabe. 

Certamente eu não me caberia nessa conversa, mas as palavras couberam como luva em mim. Acertaram em cheio meu coração, alagaram meus sentimentos e fizeram crer que, além de deveras apreensivo e inseguro, eu poderia ser alguém no amor. Eu saí confiante porque eu confiei profundamente em alguém que não conhecia, mas que disse coisas que conheciam meu ser. Talvez a minha verdade absoluta era mesmo estar naquela noite de sábado sozinho, perto de uma mulher tão insegura no amor, para de fato me reconhecer.


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Nascido em 8 de fevereiro de 1944, Sebastião Vieira Salgado é um dos mais respeitados fotojornalistas da atualidade. Natural de Minas Gerais, Salgado graduou-se em economia concluindo mestrado e doutorado na mesma área.

Foi num de seus trabalhos como economista na Organização internacional do Café, na década de 70, que Salgado descobriu a fotografia como forma de retratar a realidade económica de diversos locais do mundo ao fotografar os cafezais africanos. Para ele, a fotografia apresentou-se melhor do que textos e estudos estatísticos para representar a situação económica dos lugares pelos quais passava e pousava o seu olhar.


Por muitos anos morou em França — onde começou a trabalhar como free-lancer em fotojornalismo. Trabalhou para grandes agências como Sygma, Gamma e Magnum. Salgado contribuiu, também, para diversas organizações humanitárias como UNICEF, OMS e a ONG. Sebastião Salgado procura fazer as pessoas pensarem sobre a situação económica do local retratado, seja por meio do choque, ou seja por meio da imagem nua e crua da pobreza, da dor e da fome.








Como economista, o que despertou o interesse dele para a fotografia foi o fato dela ser mais explícita com maior impacto e intensidade. Salgado, através da fotografia, pode demonstrar a situação de miséria em que vivem as pessoas de países africanos. Através de suas lentes, Salgado explora temas clássicos da economia como desigualdade social e globalização.


O trabalho de Sebastião Salgado é fortemente influenciado pela técnica do "momento decisivo", ou seja, consiste em fotos diretas, disparadas no momento ideal em que o autor esperava. Desta forma, o fotógrafo procura transmitir num "tiro" todo o drama e impacto da situação observada. Além do mais, podemos observar que todo o trabalho de Salgado é realizado em preto e branco. 

A ausência de cor significa falta de informação — o foco está na clareza retratada. O autor da foto deseja que aquele que a observa concentre-se na situação em si e não em um ou mais elementos da mesma. O que interessa é o contexto, o impacto da imagem. Além disso, a ausência de cor enfatiza o drama retratado, o desespero e a dor; é como se o mundo perdesse a cor, a alegria — já que Salgado utiliza sua fotografia como ferramenta de denúncia da pobreza, violência, guerra e fome em regiões miseráveis do mundo.


Fotografia é a ferramenta de retratação que mais aproxima-se do que denominamos realidade, pois o objeto retratado se aproxima do que vemos fisicamente. No entanto, a arte fotográfica tem como objetivo mostrar o que não é possível ver diretamente: ações, reações, sentimentos, pensamentos que como em toda obra de arte podem adquirir interpretações diferentes de acordo com as experiências vividas, seja por quem fotografa; seja por quem observa o resultado do "click".


Do ponto de vista artístico é impossível não ter reação nenhuma diante de uma foto de Salgado. Ele consegue captar com sua lente a indignação que qualquer olho humano, com o mínimo de sensibilidade emocional, captaria no exato momento em que fotografa; e é este detalhe que faz seu trabalho provocar o efeito artístico de forma que, da própria expressão emocional, o artista provoque emoção no outro.


Pode ser que a obra de Salgado pelo excesso de choque leve à anulação de seus efeitos com o tempo ou com a observação contínua, mas é inegável o efeito da primeira impressão ao ver um rosto faminto e sôfrego de uma criança em estado deplorável de desnutrição.
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Ame tuas imperfeições. 

Ame a tua maneira estranha, o teu cabelo bagunçado, a tua forma de se ver.

Ame o que te ama, o que te leva para frente, o que te supera.

Ame as tuas falhas mas ame também a forma como você resolve-as.

Ame a tua pele, as tuas unhas, os teus traços, a tua perfeita sintonia com o universo e a forma como somente você é capaz de ser você.

Alimente-se, todo dia, de algo que nunca podemos morrer a fome: amor próprio. 

Coloque um bilhete diário, um post-it no cérebro, uma nota na geladeira. 

Não se esqueça de que você importa mais do que qualquer coisa e que os seus detalhes são preciosos para seu crescimento. 

Ame-se muito a ponto de implodir toda a tristeza, a incapacidade e desânimo que pode existir dentro de você. 

Ame-se e tudo fará sentido quando você se olhar ao espelho e não procurar por defeitos mas sim vislumbrar a figura de um corpo repleto e completo de amor. 

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De todas as vezes que eu te olho profundamente tento descrever para mim a sua tamanha intensidade, mas não consigo: é trabalho árduo. Você é um misto de mistério doce e emoções escondidas feito mel que não pode ser descoberto e nem colhido por abelhas. 

Surpreendentemente intenso e comedido de mais a ponto de não dar espaço, abrir a porta ou pegar pela mão para guiar-me até o seu eu. Seu disfarce de não sentir não é disfarce mas sim uma característica sua. Sua expressão não diz muito tanto quanto os seus olhos — encantadores. E isso me causa anseio. 

Você tem um oceano maior que a sua existência e, mesmo assim, não é capaz de saber nadar em si. Numa determinada altura, olhando para sua fotografia, eu não saberei descrever o que sinto por você porque sentir algo por você, para mim, é fraco de mais para expressar meu afeto. 

É como se tudo fosse fraco e você involuntariamente me desse força para seguir por mim, e não por nós. Se pudesse nadaria em ti, feito peixinho, respirando e aspirando cada entranha tua à espera de uma resposta que nunca estará pronta, ou que você nunca poderá dizer. 

Você é tão inteiro, tão intenso, tão verdade que, de tão grande, só dá ouvidos às mentiras que você ilusiona sobre você. 

O seu silêncio, talvez, possa dizer muito para mim. Ou ensinar, quem sabe. Mas eu não sei olhar para você e me sentir partido por saber que você é inteiro de mais para ser outra metade de alguém.
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Colocar-se no lugar do outro para quem não possui menor sentido de altruísmo e empatia é motivo de fragilidade: apenas é possível ajudar a si mesmo e os demais não importa. Para uns, a imensidão das palavras cruéis é o fermento dos risos, gargalhadas e fofocas; para outros que sofrem com isso é diferente: o fermento ao invés de explodir implode e instala-se um caos interno. 

Em 'Dezanove Minutos', magnífico livro de Jodi Picoult, somos presenteados com uma magnífica história que nos tira o fôlego, que faz-nos pensar, repensar e “tripensar” nos motivos em que leva uma pessoa a cometer certo ato. Quando tive pela primeira vez esse livro em minhas mãos não esperava tamanha surpresa e gratidão. Este livro evoca lembranças, provoca sentimento e admiração. 

Narrado em terceira pessoa, Jodi apresenta-nos a história de Peter, um adolescente soturno, que não possui amigos e que se interessa por jogos, programação e bandas de rock. O livro começa com um episódio drástico provocado por Peter na escola em que ele estuda: um tiroteio. Vários feridos e dez mortos. Ao virar das páginas, vamos descobrindo e sentindo a necessidade de saber o porquê que levou Peter cometer tal ato. 

Desde o seu primeiro dia de aula Peter estava fadado a sofrer agressões e intimidações. E assim, ao longo dos capítulos, presenciamos o sofrer de Peter. Solitário, ele não tinha muitas pessoas para quem recorrer; tinha apenas Josie, sua amiga de infância, que dado as circunstâncias ocorridas afastou-se dele. Para ela, ser amiga de Peter era motivo de vergonha, pois Josie ansiava em ser popular e andar com os populares. O uso de máscaras diárias faz com que adentremos numa sociedade 'baile de máscaras' onde o seu eu verdadeiro não é aceite. Assim, complicado mesmo é saber que é necessário usá-la para fazer parte dela. Abrir mão de sua amizade com Peter era preciso. 

O tema Bullying foi inserido no livro de forma muito aprofundada, pesquisada e metódica. A criação das personagens, o enredo e descrições são perfeitas. Os conflitos de cada personagem são apresentados, assim como seus anseios e sentimentos. Cada pessoa é vilã de si mesma. Existe o bem e mal dentro de nós. Com isso, Jodi explicitou-nos a importância de se colocar no lugar do outro e, consequentemente, entendê-lo. 

O fato de Peter cometer um crime hediondo não exclui a possibilidade de ele ser uma pessoa boa ou de vir a sê-la. O que está nas entrelinhas é o motivo que o levou a cometer o tiroteio. A sua história fora preenchida de agressões, intimidações e más brincadeiras. 

Em relação às outras personagens, temos a Alex, mãe de Josie, que é juíza e que se sente culpada por ter 'excluído' sua filha do seu cotidiano; Lewis e Lacy, pais de Peter, que desempenham papel importante sobre os pais de adolescentes como Peter, e que se sentiam culpados pelo o ato de Peter, levando-os a se questionarem onde teriam falhado, e outras personagens que enriquecem a história. Jodi traz-nos personagens que poderiam ser nossos amigos, vizinhos e familiares de tão reais que são.  

É preciso ter coragem para poder viver numa sociedade corrompida por status, egoísmo e amores plastificados. Hoje, existe a necessidade de não apenas adaptar-se à essa sociedade como também a necessidade de abrir mão de seres tu próprio para fazeres parte dela. 

Dezanove Minutos realça a importância de conhecer e respeitar o outro independentemente de seus atos. Julgar os outros sem saber nada sobre é julgar a si mesmo. Jodi Picoult deixa claro que todos nós podemos ser julgados, independentemente do que fizemos. O pré-conceito descama as pessoas e dissolvem-nas em palavras pejorativas, agressão e ódio. Colocar-se no lugar de outro deve ser não apenas uma tarefa social como uma instrução familiar. Julgar sem conhecer é julgar sem pensar, sem ter informação. Julgar o outro baseado no que pensamos é motivo de 'achismo' próprio e não de verdade. Ler este livro proporcionou-me uma experiência única. Adorei a leitura que me concedeu sentimentos únicos e diversificados. Após a leitura, fechei o livro e olhei-o por alguns minutos e fiquei a digerir a história. 

A importância de revelar-nos para nós mesmos e não para os outros é que nos torna importantes. A gente está vivo. A gente possui um lugar só nosso. A gente precisa se enxergar como único, e não diferente. É preciso situar-se para não se perder de vez. 

*** 








Sinopse: 

Autoria: Jodi Picoult (Nineteen Minutes) 

Editora: Civilização Editora 

Nº de Páginas: 532 

Mais uma vez, Picoult aborda um assunto delicado na sociedade contemporânea, um tiroteio no liceu, levantando perguntas como: o seu filho pode tornar-se num mistério para si? O que significa ser diferente na nossa sociedade? É justificável para uma vítima ripostar? E quem - se é que alguém - tem o direito de julgar outra pessoa? 

Em Sterling, New Hampshire, Peter Houghton, um estudante de liceu com dezassete anos, suportou anos de abuso verbal e físico por parte dos colegas. A sua amiga, Josie Cormier, sucumbiu à pressão dos colegas e agora dá-se com os grupos mais populares que muitas vezes instigam o assédio. Um incidente de perseguição é a gota de água para Peter, que o leva a cometer um ato de violência que mudará para sempre a vida dos residentes de Sterling. 

Fonte Imagem: Proud & Prejudiced Book Thieves
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A vida é é uma sucessão de acertos, erros, amores, poesia escandalosas e gritos de liberdade.

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